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on domingo, 21 de novembro de 2010 | 3 cousas
[música ao fundo: Espumas ao Vento - Chicas]

Por ser mais velho, porém não mais alto, que os demais - os quais, inclusive, impuseram a mim as suas referências de brincadeiras de crianças deixando a minha meninice bonita de lembranças - tomastes para si uma altivez nada contemporânea.

Àquela época, tuas zangas com três crianças mais novas jamais anteveriam que uma delas quereria seguir teus passos de intelectualidade. Afinal, sempre fostes alto e inalcançável em inteligência. Eu, os outros meninos e a mãe sempre dissemos que eras assim porque fostes o que mais mamou, antes de mim, claro, rs.

Além dessa coincidência, também nascemos regidos pelo mesmo signo, o que nos conferiu um sabor de cumplicidade calada que reverberou na escolha do time de futebol, das Letras e, principalmente, da forma de viver. Hoje, quem reverbera gritante e pulsantemente é a saudade.


on domingo, 17 de outubro de 2010 | 3 cousas

Hoje, eu estava lembrando com o meu amor sobre algumas prendas que a minha mãe seguiu por superstição e também de algumas situações que, obviamente, ela não provoca por maldade, mas que sempre me ferra. Vamos aos causos, sem ritmo cronológico, mas com desafeto ao ridículo.

Quando eu tinha 10 anos, havia um garoto da minha turma que eu achava uma gra-ci-nha-nha-nha. O nome dele era Vinicius, era inteligente, mas muito pá-virada. Era descolado, aos 10 anos (sim) e lia bastante. Eu sempre comentava sobre ele com a minha mãe, pois, por coincidência nesse ovo de codorna ludovicense, ela era amiga do pai dele; mas ela não conhecia pessoalmente o rebento caçula (e gatcheññño) do amigo, até que ela foi a uma das reuniões de pais e resolveu dar uma passadinha na minha turma para constatar se eu era realmente um exemplo de aluna comportada dãã. qual estudante não se torna comportado no dia de uma reunião de pais?. Logo ela me perguntou quem era o rapazote dono dos meus suspiros infantis e eu apontei. Para quê?! Lá foi ela, o abraçou e soltou um: "Ah, você é o Vinicius, por quem Luana é apaixonada?" Ok, pulemos a parte de eu nunca mais querer aparecer na escola e olhar pra cara do meu primeiro amor platônico.

E, nessa mesma época, eu ainda fazia xixi na cama. Assim como hoje as pessoas educadas e velhas dizem: "olha, como Luana cresceu, está um mulherão, muito bonita"/ e mamãe retruca: "pois é. quem via aquela menina mirrada quando criança, jamais imaginaria que ela engordaria tanto, né?! não sei mais o que eu faço com ela"; já aos dez anos, ela fazia questão de dizer aos que se impressionavam com o meu crescimento normal repentino: "não é?! tamanha mocinha dessa...10 anos...e ainda faz xixi na cama". #shameon Intrigada com essa minha anomalia bexiguiana, a minha vizinha indicou à minha mãe que me deixasse, por duas noites seguidas, fazer muuito xixi na rede, sem trocar o meu lençol ou trocar a minha roupa. Assim que eu acordasse, com a ajuda de outra pessoa, mamãe torceria a rede toooda xixizada sobre a minha cabeça. Se a prenda deu certo? Talvez, o trauma sim! Xixi na cama ou na rede nunca mais.

Três anos mais tarde, escorreguei na matemática. Eu estudava em escola de freiras e, lá, quem tirasse nota abaixo de 6,0 só tinha o boletim recebido pelos pais. Eu era cedê-efe, então mamãe jamais receberia um boletim meu na escola, até o fatídico dia em que eu tirei 3,0 em matemática. O professor resolveu fazer diferente e entregar as provas a todos as alunas, sob a condição de aquelas que tivessem tirado nota abaixo da média retornassem seus testes com a assinatura do pai ou da mãe. E, então, mamãe escreveu: "com muita vergonha da filha que nasceu só para estudar e não o faz, assino esta prova". O que o professor fez?? Orgulhoso do reconhecimento da vergonha da minha mãe, leu em voz alta: "ouçam o que a mãe de Luana escreveu". Nunca mais tirei nota abaixo de sete em matemática. Hunf!

Enfim, se você acha que a sua vida anda calma e precisa dar uma traumatizadinha ou, talvez, apenas precise se atentar para algumas falhinhas naada básicas que você tem e todos percebem, menos você, contrate o BULLYING GRATUITO, uma oferta da minha mamãe, dona Rosa. Ela não tem piedade, rá!
on sexta-feira, 23 de julho de 2010 | 0 cousas
Resposta à amiga índia que me convidou para um chá de cevada das 5h.

Eu não fui não! =P

Amiga, vida de desempregada dá muito trabalho!

Ora não se tem gasolina no carro, ora alguém o abastece intencionalmente e te faz de taxista. Ainda rolam os momentos em que, em virtude da falta de perspectivas para o futuro, tu te mete em cursos, em concursos e tudo demanda tempo e verbalização para convencer a mãe a 'verbar'.

Enfim, a vida depois do meio-dia é muito cansativa.
on sexta-feira, 9 de julho de 2010 | 2 cousas
Admito que dói pra caramba ver o ídolo de um time [como do meu mengão] indo pelo ralo, simplesmente porque ele foi burro, bem idiota. O reconhecimento de paternidade de uma criança e, por conseguinte, o pagamento de uma pensão à mãe teriam um preço insignificante diante do prejuízo de vida(s) que o goleiro - como a mídia resolveu 'nickzar' - Bruno pode ter, a partir da comprovação de sua culpabilidade em juízo.

Como todos gostam de afirmar, a violência à vida da Eliza Samudio figura como mais um crime passional
da humanidade; contudo eu prefiro registrá-lo como mais um reflexo do nosso distúrbio social e familiar. Pois, pelo que consta até o momento, nem o acusado e nem a vítima teriam bons precedentes familiares, bem como a acensão de suas vidas financeiras não se baseou em equilíbrios emocionais.

A essa típica emergência financeira, sem base familiar e social, retomo os recentes [também] envolvidos em violência, jogadores Wagner Love e Adriano, que já vestiram a camisa do Flamengo. Essa recorrência de figuras ligadas à criminalidade no time carioca tem levado a uma série de constrangimentos aos seus torcedores.

Ontem mesmo, em mais um episódio do noticiário vespertino, a apresentadora Sônia Abrão narrou a chegada do Bruno à delegacia afirmando que os presentes em frente ao prédio eram
flamenguistas e aplaudiam o acusado, por serem fãs dele. Ressalta-se que a filmagem estava com áudio exclusivo da voz da apresentadora, portanto, não dava para conferir o som de aplausos.

A mesma cena foi transmitida em outra emissora, já com o áudio de muita gritaria evocando a palavra "assassino". Bem se sabe [e eu já até comentei sobre esse 'marronismo' do noticiário vespertino] que a Sônia Abrão não deve levar lá muita credibilidade. Quer dizer, eu sei, você também deve saber, mas quantas outras não sabem??

Interessante é que eu já havia me revoltado com um apresentador da emissora local que reproduziu uma piada das redes sociais, a qual afirma que o Flamengo é um time de criminosos. Nesses dois casos, há explicitamente uma ignorância e irresponsabilidade da mídia, porque ela não pode incitar esse tipo de raciocínio, que vai de encontro às campanhas contra a violência no esporte.

Ou seja, uma coisa é um espectador virar piadista em redes sociais e outra é o 'jornalista' espelhar sem senso crítico. Isso é hitlerismo!! Eu, particularmente, me sinto ofendida porque, enquanto torcedora, gostava de um goleiro, de um jogador, de um esportista e não de um criminoso. Ao beijarmos a camisa não estimulamos que uma pessoa ceife a vida de outra.

Se for comprovado que o Bruno assassinou a ex-namorada/amante, que ele seja julgado, condenado e pague por isso. Mas que a mídia tenha responsabilidade de transmissão e que a população volte os olhares para dentro de suas casas. Porque violência não tem gênese em time de futebol, ela é sim uma doença social!
on quarta-feira, 16 de junho de 2010 | 1 cousas


A janela do meu pc está apontando 18' para a conclusão do download de um arquivo. Parece que os minutos multiplicam em vez de ceder e, enquanto isso, a minha cabeça gira 360º em torno do meu hoje. Mas, assim como o download que não encerra, meu giro parou em algum ângulo ainda longíquo dos 360.

"Bem vinda ao mundo adulto".

No momento em que foi dita e ouvida, ela não teve tanta representatividade. Mas, agora, lembrei que há dois dias respondi a uma corrente de mail que perguntou o que eu queria ser quando pequena. Para ironizar, eu iria responder que 'adulta', mas o fiz diferente. Neste momento, em que retomo isso me penalizo com a época em que eu [e todo jovem] briguei para me tornar independente.

Estudei pacas, me conformei com bolsas de estágios miseráveis e recém me acomodei a um emprego que fica a todo momento com o 'tic tac' a ponto de decepar qualquer pescoço. Ao passo que luto para pagar as minhas contas, para não pedir um tostão à mãe, percebo que me resignei ao que eu não havia planejado.

E, agora que sou adulta e percebi que necessita-se bem mais que isso para ser vencedor, vi também que faz parte do 'adultismo' ser surda e muda. Engolir sapo se torna um esporte estratégico de sobrevivência. O pior é que os sapos não são da mãe, do pai. São do chefe que te desumaniza, do colega de trabalho que compete...

E, então, eu lembro de uma lição que mamãe sempre deu a mim e aos meus irmãos:
Eu não posso impedir que batam em vocês na rua, portanto, fiquem em casa. Porque aqui, quem manda sou eu e eu bato se me derem motivo. Na rua, vocês são os próprios motivos.
Pois sim, ainda não saí de casa, mas já me sinto na rua de tanto apanhar.

[seis minutos para o download ainda]
on domingo, 6 de junho de 2010 | 0 cousas



Sempre paguei de a antipática' ou a convencida por me recusar a participar de uma reunião familiar. Até há algum tempo eu era aquela garota que, diferente de toda a primalhada, conseguiu entrar na faculdade tão logo concluiu o ensino médio.

A crise se agravava, quando todos me achavam a 'inteligentona', porque entrei em dois cursos, e que eu deveria entender de quaisquer assuntos que pusessem na mesa. Era capaz de eu ter conhecimento de Direito Penal, além de Aritmética, é claro.

Hoje, contudo, eu sou a prima que não deu certo. Entre os poucos que ingressaram na faculdade e aqueles que nem cogitaram isso, a maioria prestou prova para concurso e passou. Uns, em pouco de dois anos, já formaram família, tem o próprio apartamento e pagam de piedosos comigo, porque acharam a fórmula para 'o sucesso profissional' e não entendem que Jornalismo não é apresentar televisão.

- E, então, Luana? O que você tem feito? #piedadeON
- Eu estou trabalhando, trabalhando e trabalhando. #felicidadedepobre
- Ah, é? Que máximo! Em qual emissora?
- Humm..não trabalho em emissora nenhuma não.
- Não? Mas você não se formou em jor-na-lis-mo? #faculdadedegentemetida
- Sim, mas eu trabalho em assessoria.
- Ooww... #tadinha Por que você não tenta entrar no jornal X, Y ou no W? #queporraéassessoria
- Ah, eu não gosto de jornal diário. Prefiro assessoria mesmo.
- Ham! #elanãodeucerto
on domingo, 28 de março de 2010 | 0 cousas

Se não estou enganada, o último caso de violência que gerou um pequeno movimento social de revolta, aqui na minha cidade, foi no mês passado. Foi um típico crime passional, em que a jovem moça (vítima) queria separação e o esposo (mandante do assassinato) não aceitava isso. O assassinato foi uma simulação de assalto e vários indícios caíram sobre ele.

Alguns dias após o crime, eu estava com amigos num bar do bairro em que ela morava, quando um movimento puxado por um carro de som passeava pedindo justiça. Acredito que havia menos de cem pessoas ali, segurando faixas, fotos e clamando, enquanto o cara do carro de som pedia leis que coibissem ações de violência.

No Brasil, não é necessário ter muita inteligência para saber que o nosso código penal é extremamente frágil e falho, e que ele poderia seguir o exemplo de outros países bem sucedidos na redução do índice de violência. Contudo, alguns discursos do tipo 'violência é indício de fim do mundo' e 'a existência de uma lei mais dura é pressuposto para não ocorrer mais violência' nos faz colocar sobre o legislativo um poder que também é nosso. Ou que começa conosco, sociedade.

Afinal, violência não é do fim do mundo, ela é desde a gênese do mundo. É um instinto humano, que pode ser controlado por preceitos morais e éticos. Ignorar a educação familiar sim é o fim do mundo. Os debates sobre o porquê de tanta violência poderia sair dos talks shows para a sala de casa, com o pai e a mãe ensinando ao filho que ele não tem direito de agredir a vida do outro.

O caso do crime passional, com o qual iniciei o post, é um exemplo ínfimo entre tantos outros que acontecem por segundo no mundo. Mas o tomei porque o discurso do cara que pedia leis para coibir a violência me incomodou. Eu poderia lembrar também o caso (espetáculo) Nardoni, em que zilhares de pessoas, em vez de estarem em casa discutindo violência com a família, estavam na porta do tribunal dando a um promotor o papel de justiceiro e soltando fogos de final de copa do mundo.

Mas e depois que a passeata e os fogos acabam? Qual exemplo de moral e conduta realmente ficou para as pessoas? Pensemos...