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on domingo, 30 de dezembro de 2007 | 5 cousas

Ontem, fui ao cinema assistir O Amor nos Tempos do Cólera. O filme de Mike Newell, baseado na magnífica obra de Gabriel García Márquez, está sendo bastante criticado por algumas falhas técnicas e também de adaptação. A primeira crítica (que eu ouvi) veio de uma amiga, que também leu o livro do gajo, e disse ter sentido a falta do 'borogodó'. E, ainda antes de assistir ao filme, eu li outros artigos, para tentar compreender o quê ela quis dizer. Muitos fuzilaram a adaptação, como eu já disse, mas, em outros sites, vi que o próprio escritor gostou do roteiro, considerando que a alma da sua obra foi fidelizada.

Lá fui eu assistir ao filme, tentando me despir do preceito de já ter lido o livro. É uma missão quase impossível, em se tratando de um filme baseado na literatura de um ártifice. Até porque uma história literária envolve elementos individuais, concernentes ao imaginário de cada leitor e um filme é uma visão exteriorizada e materializada a partir do ponto de vista de um diretor, de um roteirista, de uma produção. Assim, várias incoerências se tornam bizarras e um filme pode ser impiedosamente estraçalhado. Eu mesma já assisti a filmes que pareceram caricaturas de livros, nos quais foram baseados; mas já assisti também a filmes que deram um realce especial à literatura, senão uma simples logicidade. Eu sempre digo que, para não correr o risco de sair frustrado, é melhor optar por uma das obras: filmíca ou literária. Mas se for para arriscar, é melhor resguardar o intento de cada uma e os seus elementos específicos.

Sinopse: Florentino Ariza, poeta e telegrafista, encontra o grande amor da sua vida ao ver Fermina Daza na janela da casa do pai dela. Escrevendo cartas apaixonadas, aos poucos, Florentino conquista o coração de sua amada, mas o pai da moça fica furioso quando descobre o romance e jura afastá-los para sempre. Fermina, então, é obrigada a casar com o sofisticado aristocrata dr. Juvenal Urbino. Ele a leva embora para Paris por vários anos e, quando voltam a morar em Cartagena, ela ainda lembra do seu primeiro amor. Florentino também não a esquece. Torna-se um rico proprietário de barcos, com muitas amantes, mas seu coração ainda bate por Fermina.

O filme O Amor nos Tempos do Cólera, poderíamos dizer, não é uma obra-prima porque é originário do livro O Amor nos Tempos do Cólera. Analisando o filme por filme, teremos a irregularidade torre babelística. Atores de nacionalidades diferentes contracenam falando um inglês com fluência intermediária. Algumas coisas toscas podem ser enumeradas, mas eu prefiro dar vez à detestável cena da viúva que é empurrada para o quarto do Florentino, em que ela parece mais uma puta de novela mexicana. Caricato demais. Além disso, podemos prestar atenção para a maquiagem de envelhecimento da Fermina, que a deixou com o rosto de 50 anos, enquanto ela teria mais de 70.

Filme por livro, assistir ao filme com a destreza de uma leitora do Gabriel me fez perceber que o diretor errou, além de algumas assinalações técnicas, na emoção que o amor do casal poderia oferecer aos telespectadores. Uma história, que é regulada pelo tempo, deve fazer descaso a momentos que não acrescentam à centralidade. Só e totalmente por isso, eu compreendi qual foi o borogodó, do qual a minha amiga sentiu falta e não conseguiu sair da sessão chorando. De fato, eu, por pouco, chorei. Mas o amor de Florentino ficou muito a lágrimas, enquanto a Fermina não foi humanizada. Além disso, a realização do amor de ambos na terceira idade, que é o grande trunfo de todo o enredo, não foi explorada.

Não, eu não detestei o filme! Mas também não amei e, apesar das displicências, eu continuo admirando a história do Florentino e da Fermina, criada pelo excelentíssimo senhor amigo da Shakira, Gabriel García Márquez.
Agora, aguardo Blindness, de Fernando Meirelles, baseado em Ensaios sobre a Cegueira, de José Saramago.
on quinta-feira, 6 de dezembro de 2007 | 10 cousas
Estive pensando nos últimos dias no entulho de informações que recebemos por segundo. Eu, por exemplo, passo um largo tempo na internet e me perco diante de tantas páginas. Ai, a minha cabeça dói, sabia? O número crescente de blogs altera a noticiabilidade simultaneamente, dinamizando fontes, olhares e observações.

Quando me dou conta disso, vem à minha cabeça meu ex-professor de Sociologia, que degustou a experiência de passar um determinado período 'isolado' de qualquer meio que pudesse lhe oferecer informações. Na verdade, ele queria provar a si mesmo que não dependia de jornais para viver e disse: "Eu sobrevivi". Hehehe. O cara é meio doido, embora tenha conhecimento 'para dar e vender'. E eu acho que é isso. Ele tem tanto conhecimento que chega a ser incompreensível quando fala, porque começa a engolir palavras, frases e substitui tudo por um "pá-pá-pá". Mas sim, é óbvio que ele sobreviveu à catarse. E sobreviveu especialmente para continuar se alimentando de conhecimentos.

E é isso o quê acontece conosco. Mesmo que não reconheçamos que vivemos numa ciranda de informações, a cada segundo damos e recebemos algo que (des-) acrescente ao nosso hall de lunaticidades. Se pressupormos que esse (um) processo de troca de informações se dá a cada segundo, poderíamos fazer uma fórmula matemática para calcular quantas informações tivemos em 2007. E isso sendo modesto e levando em consideração que em cada segundo há apenas uma troca. Mas, claro que essa idéia de cálculo foi apenas uma viagem da Lua aqui, que não vai fazer @#$%%¨& de fórmula nenhuma, afinal, eu faço é Letras e não Matemática (ô, piada infame!!! ¬¬').

A propósito, falando em Letras... Antes que eu fuja do tema, foi exatamente por uma discussão durante a aula de Semântica (indagorinha), que tive a inspiração (:S) para este post. O professor dessa cadeira chegou com uma pérola para a turma:

"A cada ano, o Brasil tenta se superar no número de leitores e consegue. Em 2007, batemos o recorde de leitores, novamente. E sei que, em 2008, bateremos este record. Sim, fiquem embasbacados, mas as pessoas estão lendo cada vez mais! Estão lendo cada vez mais revistas 'Ti-ti-Ti', 'Contigo' e suplementos de jornais, como o 'Galera' (jornal local 'O Estado do Maranhão'). E, na semana que vem, esse número vai nos deixar mais orgulhosos, afinal de contas, dizem as más-línguas que o Juvenal Antena vai ser assassinado e os telespectadores vão ficar loucos para saber quem o matou. Ah, ainda podemos citar outro fator que colabora para que as letras sejam desembaraçadas: o desgraçamento dos outdoors. Vocês já conferiram quantas placas há daqui pra São José de Ribamar (município vizinho da capital maranhense?)"
:: E quem não sabe inglês? Como vai lidar com o blogspot in English? Acho que agora vou chamar meu professor de Inglês! O.o