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on terça-feira, 6 de julho de 2010 | 0 cousas

A despeito das artes, nunca tentei nenhuma. Um dia já quis aprender a tocar algum instrumento musical, mas não foi adiante, pois me apeguei ao receio(!). Hoje me apego à arte do desapego. Quer arte mais difícil e ninja que essa?

Um franciscano ou um budista teriam respaldo verdadeiro para falar sobre ela, mas seria tangivelmente sobre a força de vontade de cada um (fé) e sobre as disposições de recusa e do não desejar. Ilustrativamente, declamaria o meu poeta Fernando Pessoa: "A renúncia é a libertação. Não querer é poder". O que se torna, a priori, repreensível por mim, visto que a minha arte é regida pelo apreendimento exclusivo do meu ego.

Já posso testemunhar que, sem dúvidas, essa arte declina a frustração porque me dou conta de que posso seguir sem ninguém, mesmo não estando sozinha. Em suma é dada a concretude ao: cada um por si e Deus por todos. E o fim de 'todos' não chega a doer, porque se pressupõe que ninguém ou nada fez parte dele. Em vias de regra, como qualquer arte, esta pode parecer mais uma teoria abstrata.

Mas vale pincelar a prática com pequenas resoluções, atos memoráveis, talvez grandes 'nãos' e, sobretudo, a certeza de que há outra maneira de fazer as coisas, sem sentir que abandonou algo. Passo a dever apenas a mim os tons mudos ou graves, os riscos marcantes e os cordéis menos rimados.

De pronto, já caminho mais solta, sem precisar me autoafirmar para os que me julgam.
on terça-feira, 29 de junho de 2010 | 0 cousas


25 anos depois, descobri que se apaixonar é uma opção.

Quanto tempo mais precisarei para descobrir que sou mais feliz sozinha?
on domingo, 1 de novembro de 2009 | 8 cousas


"Tem tanta gente que se vai
À imensidao do seu querer
Querendo vida sem a morte
Ser mais forte sem sofrer
E ter certeza sem buscar
Ganhar o amigo sem se dar
Sem semear colher o amor
O amor ferido pela guerra
Quem na terra desconhece
Aparece sem valor
Levo o meu braço qual alguém
Que já caiu mas levantou
Quem foi já não sou.
" [canta Elis Regina]


As fases complicadas da vida não são únicas e nem eternas. Digamos que, uma vez ou outra, nos vemos em situações periclitantes em que repousamos os pensamentos e percebemos que uma guinada de 180 graus precisa ser dada antes que você enlouqueça no seu ponto zero. O importante é que, pelo menos enquanto você está no seu ponto zero pensando na guinada, faça avaliação das perdas e ganhos com essa virada que pode ser irreversível.

E eu estou acá, numa dessas fases complicadas, em que eu poderia dizer que é "
a fase mais complicada da minha vida", mas eu seria pessimista, imatura e determinista demais. Ainda não vivi um tantão para pensar e dizer isso. Além do mais, após a explosão do desespero, da vontade de gritar até a voz acabar e de chorar até alguém dizer que tem a solução para o seu problema e de todos os hiperbolismos e dramas, Deus não deixa passar a esmo um filho.

Por isso, posso dizer que a minha fase é de transição. Já pensei e repensei bastante e resolvi pelo que eu jamais pensei decidir. Não estou com tantas cartas na manga, mas a minha garra [que não paga conta, nem faz feira] me faz ter esperança e cara de pau de desenhar um cenário diferente daquele que tenho hoje. Se, por ora me senti sozinha, sem ter com quem desabafar, fui tola e ingênua. Deus está comigo e só Ele pode me confortar. Que assim seja, Amém!

on quinta-feira, 22 de outubro de 2009 | 6 cousas
A pombinha da mata*

Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.

"Eu acho que ela está com fome",
disse o primeiro,
" não tem nada para comer."

Três meninos na mata ouviram
uma pombinha carpir.

"Eu acho que ela ficou presa",
disse o segundo,
"e não sabe como fugir."

Três meninos na mata ouviram
uma pombinha gemer.

"Eu acho que ela está com saudade",
disse o terceiro,
"e com certeza vai morrer."

(Cecília Meireles)


*Descobrinho a fantasia da Poesia Infantil
on segunda-feira, 17 de agosto de 2009 | 7 cousas

Nova Esperança, bate coração, renascer cada dia com a luz da manhã
[na voz da Elis Regina]

Acho que, de repente, foi o estalo. Uma sucessão de caras e bocas foram se fazendo e se desfazendo como se lembrassem do que estavam fazendo de suas vidas no breve prazo que haviam dado a si mesmos para ter "o ano de suas vidas". De tão jovens, não perceberam que "o ano de suas vidas" não é uma dádiva, nem um prêmio. É um ciclo que se renova a cada término e início das suas forças e vontades.

Logo, não precisaria que o ano iniciasse no dia 1º de janeiro, nem mesmo que ele findasse no dia 31 de dezembro. Ele poderia iniciar hoje, dia 17 de agosto, e findar quando percebessem que um ano só não é o suficiente para fazer tudo valer à pena. Tudo é início, tudo é recomeço, o fim...só a Deus pertence.

Matutos que eles eram, continuaram a cismar com seus relógios, com seus calendários, sequiosos da vida que já começou e que está acontecendo passo-a-passo, sem querer correr para depois ninguém virar a cara contra ela e dizer: "você foi rápida demais".

Quem me dera acreditar em tudo o que eu penso...e escrevo.