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on segunda-feira, 8 de março de 2010 | 0 cousas
Malditas as parcas horas em que você se desarma e acredita, no fundo da sua alma, que tudo foi solucionado.

Quando essas horas passam, você olha pro lado, olha para outro nem lembra que um dia tal problema existiu em sua vida. Até que, como numa catarse, ele pula de dentro de você. Não! Definitivamente, você não está em um filme de ficção, muito menos você acabou de gerar um alien. E nem mesmo foi uma catarse, é apenas você. É o seu reflexo à sua frente, pululante como um coração compassado.

Nesse momento, não se sinta só, porque eu lhe entendo muito bem. A propósito, estou me sentindo assim neste exato momento. Quer que eu descreva mais? Sei que você está se sentindo boba, enganada por si própria e pergunta repetidas vezes: "por que eu me iludo e não mudo? ou então, por que eu não acabo logo comigo, já que sei que não sou capaz de mudar, de deixar de ser legal e bondosa com as pessoas e sempre me ferrar?"

Eu, como outra pessoa legal e generosa, deveria aconselhar para parar de se martirizar. Que você é sim idiota, pensa muito nas pessoas, se dedica all time, mas que um dia vai conseguir deixar de ser tola. Mas, pela primeira vez na vida, não vou pressupor que generosidade seja sinônimo de burrice. Vou confiar que generosidade é lealdade e vou lhe dizer logo que não tenho a mínima experiência nesse tipo de superação.

Mas, se é para lhe consolar, acredito que um dia também irei superar esse tipo de tolice, mas até lá ainda viremos aqui para jurar que VAMOS MUDAR e que ligaremos a tecla FUCK YOU! E, para lhe tranquilizar mais ainda (ou não), aviso que as horas de catarse ou reflexo (como bem queiras denominar) também são parcas.

''mas tudo passa, tudo passará. e nada fica, nada ficará.''
on quarta-feira, 28 de outubro de 2009 | 5 cousas


Às vezes, tenho a mania péssima de imaginar situações bizarras e trágicas. Como quando tô no trânsito e o caminhão pesado ao meu lado batesse de verdade no meu carro. É também de imaginar que a serpente que adormece embaixo da ilha, enfim, acordasse e aparecesse na minha frente para me devorar. Outro dia, eu estava parada no sinal e, observando o que os motoristas dos outros carros faziam enquanto o sinal não esverdeava, imaginei um buraco abrindo no meio da avenida. Vi que o diretor não estava nem aí para mim, então, meu carro caiu num abismo sem destino.

Parece ser inspiração filmesca daquela pessoa que passa horas trocando de vídeos, especulando tudo de mais ficcional com ela mesma. A questão é que, embora eu não esteja dentro de um filme, sinto como se todas as cenas que eu imaginasse fossem cenas de coadjuvantes ou cenas de passagem. Nada que, além de assustar, possa ser determinante para o final de um enredo.

E, como se a vida imitasse a arte [ou a imaginação], parece que estou sempre coadjuvando, puxando a orelha de alguém, empurrando-o pra frente, erguendo-o ao máximo de suas limitações e esquecendo que as forças para mim faltam. Cansei de não ser a heroína. Não quero ser a sofisticada, a invejada, a beijada pelo protagonista. Ah, mas também não quero ser aquela que ajuda, ajuda, ajuda, cai no buraco, se levanta e no final dá um sorriso de bondade. Quero ser aquela que é feliz do começo ao final, sem buracos, serpentes ou caminhões. Putz! "Ô, seu diretor! Paremos com esses filmes de sessão da tarde, por favor!"

E você?! Qual o seu papel na trama?
on sábado, 5 de setembro de 2009 | 5 cousas

Por esses dias, eu estava lembrando de um fato que passou batido por mim, mas que nem por isso foi irrelevante. A propósito, ele foi mais que importante. Há pouco mais de um mês, completei um ano de diplomação em Jornalismo, após uns cinco anos de facul. Foi um período de intensa busca do que de fato seria o Jornalismo em minha vida. Uma busca não restrita à sala de aula, mas com uma experiência significativamente profissional.

Embora eu ainda julgue que me falte uma baita experiência em impresso, a qual eu sempre recusei por não achar digna na cidade em que moro, penso que eu deveria ter ousado mais em outros campos. Àqueles que limitam a atividade jornalística aos jornais diários, digo que a roda é bem mais complexa e versátil. Para além da experiência, a minha busca foi pelo "sentir". Sentir o Jornalismo em mim era comparar o exemplo do jornalista que eu tinha em mente até entrar na academia e o profissional que eu encontrava por aí até chegar àquele que eu gostaria de ser.

Até então, ver, ler e ouvir jornalistas era um exercício de atenção. Eu ficava imaginando o cuidado e o compromisso que eles tinham com as palavras e, por conseguinte, com a verdade. O jornalista, para mim, era o cara de cabeça sempre crítica, que tinha todos os conhecimentos do mundo e que era, obviamente, um cidadão correto. Sim! Se ele fazia uma matéria sobre picaretagem, com um senso tão crítico, é porque ele tinha o dedo limpo para apontar alguém. Apesar de nunca tê-lo imaginado uma celebridade e estrela televisiva, como muitos aspirantes ao jornalismo costumam imaginar, eu tinha praticamente um exemplo clichê!

Hoje, e já bem antes de hoje, esse pensamento se dilui de forma ingênua, burocrática e frustrada. Enquanto ainda sou bastante insegura com aquilo que escrevo, pressupondo o quanto aquilo vai influenciar na reflexão de outrem, sei que não sou a melhor das cidadãs. Erro como todo cidadão, falto com alguns deveres e ainda não sei quais são todos os meus direitos. Não possuo todos os conhecimentos do mundo, sou mais senso comum do que eu possa parecer.

Do mesmo lado, a hipocrisia rola à solta. Profissionais por quem eu tinha consideração [e não idolatria], além de se tornarem carne [alguns bem pôdre] e osso como eu, demonstram pura falta de ética, zombaria com os fatos e indiferença à verdade. São profissionais, que colocam 50% de mim a favor da desobrigatoriedade da exigência do diploma.

Mas sem lamentações e arrependimentos, ainda não me sinto jornalista. Essa é uma palavra que soa estranha quando é a mim que designam. De certa forma, isso é bom, pois procuro sempre entender se o que faço é feito corretamente. Não quero que "jornalistar" seja exclusivamente uma profissão, mas também um modo de viver.

Cena pitoresca no salão de beleza:

- Cabeleireira #querendoseaparecer: Lulu, minha jornalista quêrrida!
- Lulu de havaianas: Oi! Tâ bôua? Eu tava com saudades de tu!
- Povo do salão me olhando dos pés à cabeça: Õ_o

Depois de um longo tempo de pautas bizarras sobre expoema, show de rivela, morte no escambau e diabaquatro (tudo o que eu entendo muito bem)...

- Fulana #lôraoxigenada: Mas tu é jornalista mesmo ou ela tava brincando contigo?
- Lulu fazendo a sua análise antropológica by Albertinho: Ué! Sou! Por quê?!
- Fulana #lôraoxigenasuperdecepcionada: Ah, tu é tão calada. Jornalistas geralmente são tão falantes.
- Lulu pensando em quantos jornalistas aquela criatura ja conheceu na vida: Õ_o

on quarta-feira, 2 de setembro de 2009 | 6 cousas
Não tire esses óculos. Use e abuse dos óculos.

Eu só quero saber quem foi o infeliz que inventou as lentes de contato rígidas. E, ainda por cima, inventou que algumas córneas tinham tendências "estríacas" e pontiagudas, ao ponto de necessitarem ser pressionadas por essas lentes. Esse infeliz tá rico? Tá em sociedade com meu oftalmo?

Definitivamente, preciso fazer uma investigação jornalística seríssima e desmascará-lo. Porque enganar uma pobre moça, que aos 13 anos enganou o oftalmo distorcendo as letrinhas só para poder usar óculos porque achava um charme, e agora - 11 anos depois - não pode usá-los, com os argumentos científicos que a solução para ela é só transplante de córnea é a treva.

Não vão me dizer que vocês também não se compadeceram da moça!! Aff! Então, imaginem só a situation. Todos os dias, a moça é obrigada a colocar um troço rígido [acrílico] nos olhos para poder enxergar o azul do céu, a beleza das demais pessoas, mas na primeira meia hora após colocar o troço só consegue lacrimejar e lacrimejar. Um lado do olho estranhamente, há um ano, está mais baixo que o outro, sendo que esse outro só não deve ter rebaixado também porque passou exatamente um ano sem a lente que perdeu.

De todo modo, a moça alterna as noites sonhando entre o dia que o dotô irá dar de presente a ela uma linda armação de óculos e ela irá poder estraçalhar as malditas lentes rígidas; e ou, então, que algum grato amigo irá deixar as suas córneas em testamento para ela. Nesse caso, no final do sonho, o grato amigo morre logo, claro! Quem se candidata? =D