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on domingo, 21 de novembro de 2010 | 3 cousas
[música ao fundo: Espumas ao Vento - Chicas]

Por ser mais velho, porém não mais alto, que os demais - os quais, inclusive, impuseram a mim as suas referências de brincadeiras de crianças deixando a minha meninice bonita de lembranças - tomastes para si uma altivez nada contemporânea.

Àquela época, tuas zangas com três crianças mais novas jamais anteveriam que uma delas quereria seguir teus passos de intelectualidade. Afinal, sempre fostes alto e inalcançável em inteligência. Eu, os outros meninos e a mãe sempre dissemos que eras assim porque fostes o que mais mamou, antes de mim, claro, rs.

Além dessa coincidência, também nascemos regidos pelo mesmo signo, o que nos conferiu um sabor de cumplicidade calada que reverberou na escolha do time de futebol, das Letras e, principalmente, da forma de viver. Hoje, quem reverbera gritante e pulsantemente é a saudade.


on segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 | 2 cousas
Querido 2007,

Antes que eu seja deixada nas mãos do ano que está por vir, preciso dizer algumas coisas para ti.

Fostes pavoroso comigo, como nenhum o foi. Te olhar me provoca tristeza e as lágrimas insistem em cair sobre o meu vestido. Tu vais ficar em minha memória, enquanto eu tiver vida, mas nada do que tu me proporcionastes vai fazer com que eu não tenha dias melhores. Muito pelo contrário. Tudo o que vivi contigo me fez perceber o quanto sou forte e o como estou pronta para enfrentar outros piores que você. Contigo, me revelei cruel com alguns, mas muitos provaram não merecer nada do que eu dou.

Não sabes o quanto me sinto feliz em saber que as tuas malas já estão no bagageiro e que o trem para a tua partida já apita. As rugas que me destes são testemunhas das minhas esperanças. Esperanças mais ambiciosas do quê as com que te recepcionei. Me sinto renovada e disposta a vivenciar dores e alegrias. As minhas conquistas serão pontuadas para que, no meu íntimo, o orgulho transborde. E nem adianta me rogares pragas, pois as cultivadas por ti foram mortalmente esmagadas;

Vai-te, porque não é tarde, de fato. Vai-te, porque o tempo urge e, em mim, um novo dia anseia. Vai-te, porque cedo nascerá um 2008 saudável e sábio.

Adeus, malquisto!
on quinta-feira, 13 de dezembro de 2007 | 7 cousas

Afogada nas minhas lembranças insanas, meu corpo era submetido às saborosas sensações de uma loucura não planeJada.

Vista de fora por uma menina ingênua, de tez macia e olhar assustado, não pensei em emergir das sensações que me tomavam numa travessura esplendorosa.

Enquanto tu, no máximo, avistava a menina e me esquecia no leito da morte. A menina, no entanto, inquieta com a minha fraqueza ajoelhou-se diante de mim e tocou os seus lábios gélidos nos meus. Senti o ar cálido brotando do seu ventre unindo-se ao meu hálito frio e morto. Ela passou de si para mim. Meu corpo estremeceu e fui liberta das lembranças. Meu corpo estranhou a energia que se apoderava dele e ainda relutou contra, mas ao olhar em seu torno, viu apenas um laço fino e bege.

Você ainda me olhava... Sim, me olhava espantado com a fusão dela ao meu ser. Sem compreender o que acontecia, arruinastes o jardim que acarinhavas inconscientemente, enquanto vidrava-se na menina. Eu ainda gritei por ti, mas não reconhecestes a voz dela pulsando em mim.

Quando a sua revolta jorrada sobre aquilo que há pouco cultivavas esgotou, a sua retina atravessou o meu corpo vasculhando a minha alma e nada encontrastes de irreconhecível. Mesmo assim, com um sobressalto preferistes não se entregar à menina que existia em mim e que, um dia, foi apenas o reflexo da minha alma sobre a água do rio que as tuas Flores bebiam.


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*um ano
on terça-feira, 4 de dezembro de 2007 | 10 cousas
Quero dormir e, a 21 dias do natal, coloquei os enfeites natalinos pela casa. A 27 dias do novo ano, estou colocando as lembranças de 2007 sobre o travesseiro.

Olhando para os enfeites e para as lembranças, percebo algumas diferenças. Talvez, uns brilhem mais que outros; talvez, uns sejam maiores que outros; talvez, uns sejam menos coloridos que outros; talvez, uns sejam mais bonitos que outros; talvez, uns sejam mais delicados que outros; talvez, uns sejam mais leves que outros; ou, talvez, uns tenham sido mais caros que outros.

O quê? A guirlanda maior do que a briga entre mim e a minha grande amiga? O papai noel bailarino mais caro do que o 'Saramago' que a minha outra grande amiga me deu, no aniversário? O pisca-pisca mais iluminado do que o olhar de saudade antecipada da minha grande mãe, quando eu contei que faria mestrado, em São Paulo? O sino menos colorido do que a mágoa entre mim e meu grande irmão? A bola mais delicada do que o nascimento do meu grande pequeno sobrinho? As velas mais bonitas do que o dia em que eu me mudei para a casa nova? A árvore mais leve do que o dia do meu aniversário, em que eu mergulhei no mar com a minha matriarca?

Hã?! Droga! Preciso trocar os enfeites que eu deixei pela casa, depois eu volto ao meu travesseiro para libertar o meu espírito ao encontro de outros espíritos, que juntos continuarão enfeitando a minha vida de incomparáveis sonhos.


*Muchacha en la Ventana, do surrealista Salvador Dali, enfeitando o post.

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