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on domingo, 10 de fevereiro de 2008 | 15 cousas

Vocês são legais, que eu sei. São tão legais, que eu vim descarregar as minhas dores musculares em vocês. Ai, costas; ai, mãos; ai, dedinhos; ai, cabeeeeça! Nossa! Estou me sentindo a própria dor personificada. Quem me dera ter uma massagem, neste momento... Não, melhor! Quem me dera ter alguém que dissesse: Luca, deixa que eu concluo o teu projeto; e fizesse uma puuuta fundamentação teórica, sobre o jornalismo opinativo na blogosfera.

Ôpa! Desculpem a expressãozinha chula, mas eu estou chula mesmo. Desculpem a sinceridade, mas é isso. Aliás, não me desculpem porcaria nenhuma. Não foram vocês que tentaram atravessar a madrugada fazendo um projeto experimental ou que estão até agora tentando concatenar ou, como diria Alberto, amarrar o objeto de pesquisa. Sou eu! Eu, eu, eu, eeeeeeeu...buáááá...snif, snif.

Ó, céus! Depois de quatro anos e meio de faculdade, estou sendo forçada, em um semestre, a aprender tudo aquilo que eu troquei pelas farras. Por que eu não fui careta e disse a mim mesma que o grande lance era ser nerd e não ser doidivanas e que esse papo de "vamos curtir o agora, porque do amanhã eu não sei" é pura conversa fiada de vagabundo? Por que eu não prestei atenção para as aulas de técnicas de projeto experimental, em vez de abandonar a disciplina?

Agora, estou aqui, martelando a minha cabeça para fazer uma fundamentação teórica, prum povo que nem vai analisar o projeto para ser aprovado. Mas eu tenho que fazer, afinal de contas, é o pontapé inicial para as minhas reflexões acerca do tema. É! E também preciso entender que, após tanto mudar de tema, arranjei um orientador fudendo e não posso decepcioná-lo! Já pensou com quê cara de arrependimento ele vai ficar, se teu projeto também não ficar fudendo, Luca?!?

Ô, consciência! Deixe-me em paz! Tu quer aparecer agora, só porque estou sóbria? Tu não quer tomar um chopp comigo, não?!? Êpa! Parooouuu... Luca, Luca! É só uma fundamentação teórica. Sabe o quê tu faz, meu amor? Você inicia seu texto com uma enormissíssima citação, daí tu reflete aquela citação, com fonte 14, espaçamento triplo e pronto: uma fundamentação da porra!! Shiiii... Isso está tooootalmente fora dos padrões ABNT-ísticos! Nada disso... Vou descarregar a minha carga emocional no travesseiro, depois eu volto e vai ter um texto pronto no meu e-mail. Por quê? Por quê? Porque eu tenho uns amigos blogueiros que são do caráleo e que vão enviar a porra do embasamento teórico, né isso, rapaziada? Digam que sim! Digam que sim!!!

Aaaaaaaaaahhhhhhhhhhh...
on terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 | 6 cousas
irmãs (de pele)
Eu não tenho tantas lembranças tuas. Até ontem, eu nem falava de ti para ninguém. Não que eu não te amasse, não porque algumas tardes não foram passadas contigo. Talvez, a coisa mais forte seja a dor da mordida do cachorro na minha mão, quando tu era a responsável por mim e eu menti para livrar a tua pele.

É, desde essa época eu já livrava a tua pele. Livrei a tua pele quando cuidei do teu boneco, o qual me tiraste impiedosamente quando ele já me amava. Livrei a tua pele quando a minha pele estava em jogo, e eu não agia por amor, só por uma proteção automática, que deveria ser de ti para mim, já que sempre fostes mais alta.

Cresci e fiquei mais alta que tu e, então, comecei a entender que não era a altura que pesava na nossa relação, mas o tamanho dos teus problemas proporcionais à minha dedicação. Uma dedicação de abraços envergonhados, de risos sem-graça, de carinhos desengonçados. Os meus abraços calorosos, as gargalhadas estrondosas, os carinhos descarados, os afagos constantes sempre foram para os meninos, os mesmos do futebol de botão, das tampinhas para o fofão...

Eles sim eram altões, engraçados e amados por mim, de coração. Tu, talvez, fosse um prego nos nossos sapatos, de pés cheios de calos. Ou, talvez, nem chegasse a ser assim tão importante a ponto de ser incômoda. E, certamente, aí iniciou a tua inveja, a tua maldade! Numa partida de futebol, resolveste desafiá-los e, como eras sagaz e má, ganhaste por trapassa o nosso jogo de alegria.

Eu fui o teu troféu e, numa sessão de choros e soluços sem fim, enganada pela raiva, pensei que eles tivessem me trocado. No entanto, numa loucura obcecada por outros troféus, tu olhou para a minha pele e a rasgou. Eu, indefesa, não consegui me livrar da tua fúria. Logo eu, que a tua pele tanto livrei...
on terça-feira, 22 de janeiro de 2008 | 18 cousas

- Triiiin...triiinn...
- Alô! (telefone chiando e o pensamento em minha irmã)
- Luana (meu nome é lindo, eu sei)?
- O quê tu quer, raladona?
- Luana? (telefone chiando cada vez mais)
- Pôxa, pequena! Isso são horas de ligar pra casa duzôtro? (10h) Espera aí na linha que eu vou pegar a extensão da sala. Ou melhor, depois eu ligo pra ti. Tchau! (do outro lado: tun tun tun)
- Triiin...triiinn...
- Rú! Eu já ia te ligar, toscona!
- Luana, aqui é da Escola Fulana de Tal. Você deixou seu currículo aqui, no ano passado.
- (Glup) Luana? Péra! Vou chamá-la. (Jisuis, o que eu fiz?)
- Alô (voz fanha)!
- Olá, Luana! É da Escola Fulana de Tal. O seletivo para professor vai ser amanhã, às 9h. Vai ser uma redação sobre a LDB do ensino fundamental.
- Ah, tá! Beleza. Estarei aí sim.
- Olha só: vimos que a sua habilitação também é pra Língua Inglesa, então o teste vai ser para lecionar Inglês de 5ª a 8ª série, certo?!
- (Ó, mái Gódi! Té buk és on té teibôu!) Ah, tá! Obrigada.

Manhé, me acorda amanhã, cedo, por favor!

às 7h45:
- Luana, acorda! Já tá tarde!
- Gódi, relpi-me!

às 8h30:
Em qual bairro fica mesmo a escola? Vinhais ou Angelim? .... Vinhais! Isso...Ai, que sono! Ai uana islipi!

às 8h35:
Péra, péra! Nãããããooo...É no Angelim. Jisuis! E agora? Descer do ônibus agora é muito mico! Ah, desço o mais perto possível e pego outro busão...

às 8h45:
- Senhor, qual o ônibus daqui passa pelo Angelim?
- Senhora (¬¬'), não há nenhum que entre no Angelim, mas pode pegar esse aí que ele passa na avenida principal.
- Ah, valeu!

às 8h53:
Nãããããooo...Chuva, não, Deus! Eu tô sem guarda-chuva! Ah, vou esperar ali naquela quitanda! Ih...mas eu vou chegar mais atrasada ainda. O quê eles vão achar? Certamente, que a 'inglishe títcheur' não é pontual! Ah, mas eu nem sou mesmo. Uhm....Quer saber? Esse sereninho não mata ninguém. Vou cortar caminho...

às 9h01:
- Senhora (¬¬'), responda a este questionário e, logo que terminares, lhe entrego uma folha para a redação.
- Obrigada!

****
- Luana? O que tu tá fazendo por aqui?
- Ué?! Vim para o seletivo para professor de Língua Inglesa!
- Arrá! Não era tu que jamais iria entrar numa sala de aula e se dedicar somente ao jornalismo?!?
- He-he. Pois é. Tudo é relativo, salvo o infinito. ¬¬'
- Boa sorte pra ti, então.
- Unrum...tá!

'Por que eu quero ser professora?' Vixe! Isso é pergunta que se faça? Nem lembro mais porquê eu fiz vestibular pra Letras. 'Qual a minha metologia de ensino?' Será que se eu disser que só trabalhei com jornalismo, eles vão me achar inexperiente? 'Quais são os teóricos pedagógicos que eu gosto?' Ah, essa é fácil: todo mundo gosta de Paulo Freire. 'Qual a minha disponibilidade para lecionar?' No horário em que eu não tiver ocupada com a minha monografia, claro. Dããã...quanta pergunta besta!

às 9h25:
- Moça, eu terminei! Cadê a folha para a redação?
- Aqui, senhora (¬¬')!
- Uhm...Ei, ei. A redação não era sobre a LDB do ensino fundamental?
- Hã?! Não! É sobre os PCNs.
- (Glup! E a noite que eu perdi relendo xerox sobre LDB?) Ah, claro! Me confundi. Obrigada, moça!

Entendo PN de PCN, mas vou falar sobre o artigo 5º. Éééé...recordo que já li algo sobre a importância social da língua estrangeira nas instituições de ensino. Ótimo! Eu sou uma gênia!

às 9h37:
- Meu anjo, eu já terminei. Mais alguma coisa?
- Ah, não, não. Só isso mesmo. Depois ligamos para informar o resultado.
- Unrum...tá!

(...)

às 11h:
- E, então, minha filha??! Gostou do teste?
- Ah, mãe! De fato, não sei o quê estou fazendo no curso de Letras!
- Hã?! Não diga essa bobagem! Até outro dia tu queria tentar lecionar e agora esse desânimo?
- Manhééé...Ai reiti me!
- O quê é isso?!
- Ai lóvi iú!
- Ô, eu também te amo!
- ¬¬'
on terça-feira, 25 de dezembro de 2007 | 3 cousas
Ele reapareceu para mim. Seu sorriso pelo presente que eu estaria para dar a ele iniciou uma conversa afinada pelo choro longe que eu tentava engolir. Procurei desviar os meus olhos, mas ele é experiente o suficiente para compreender que uma voz embaça por emoções sinceras. E era realmente uma emoção sincera. Não por tê-lo visto, mas por ter tido a impressão de alguns minutos antes ouvir a voz do meu herói que anseio ver rascunhamente há seis meses. Ofereci a ele a minha atenção de jovem ansiosa pelo que a noite poderia me devolver. Ele falou sobre religião e eu confessei que não a possuo, mas que agradeço todos os dias a Jesus por ter me dado o sopro da vida. Ele concordou e disse que eu deveria continuar amando e obedecendo a minha deusa, porque ela era guerreira e esperta, embora fosse muito ousada. Sorri e disse que eu também o era. Ele me abençoou, então, prevendo um sucesso. Segundo ele, a deusa nunca temeu a nada e teve uma vida baseada na audácia e na determinação, culminando com os dons que eu obtivera.

Consenti a sua benção e agradeci sinceramente a mão de pele amassada. Entreguei o seu presente e a sua boca com o hálito mal-cheiroso perfumou a adorável lembrança deste reencontro. Ele se foi e fiquei na companhia das minhas angústias corroídas pela ânsia do sucesso.

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on domingo, 9 de dezembro de 2007 | 4 cousas
Tenho em mim a fantasia de uma vida,
vestida numa bailarina adormecida
Cansada de esperar o espetáculo começar.

Tenho em mim a nostalgia de uma família
atormentada pela espada desregrada
numa noite angustiada.

Tenho em mim a melancolia de um dia
ter acordado o amor chorado
do homem já triunfado.

Tenho em mim a ânsia de um dia
confessar essa farsa do nada
e despertar a alma abandonada.
on sexta-feira, 7 de dezembro de 2007 | 5 cousas

Há dois meses, eu mudava de casa, de bairro e de vida mesmo. Os dias aqui, em São Luís, têm sido confusos. O clima não se decide. Certamente, por causa do aquecimento global. Vocês assistiram outro dia, no Fantástico, cientistas renomadíssimos afirmando que o aquecimento global não é culpa primeiramente do homem? Pois é! Eles afirmaram que o sol está se superaquecendo e essa é a causa das tragédias climáticas aqui, na terra. Eles não chegam a eximir o homem da culpa, portanto, continuemos plantando árvores para minimizar as consequências. Eu, por exemplo, já plantei um pé de feijão, quando era nininha.

Ih...Que mania besta eu tenho de colocar assuntos no meio de outros assuntos, hein?! Os viajantes daqui podem até se sentir confusos. Ah, confusos...Isso, os dias aqui estão confusos. A minha mãe disse que, em não sei qual dia de dezembro é celebrada uma santa aí - eu não lembro, porque, não sendo católica, eu não creio em santos, portanto, não faço questão de me ligar nas datas e nos nomes, a não ser em feriados. Ei, mas isso é uma coisa minha que não vai influenciar numa possível agressão verbal/psicológica e física por pré-conceito, certo?! Pelo amor de Deus! :-O Sim, sim...tentando voltar novamente -, por isso a chuva por aqui estaria prestes a chegar. Porém, só ocorreram os chuviscos até agora. Chuviscos que seriam prenúncios de segundos para a chuva agora são prenúncios de dias, semanas e, quem sabe, meses. Logo eu, que adoro a melancolia da chuva. =/ E, apesar de termos só chuviscos, o tempo, às vezes, fica nublado e eu até posso dispensar a cortina do meu quarto, que, geralmente, o protege do Sol. Olha só como é o ser humano: se protege do Sol. Acho que é por isso que ele está se vingando e superaquecendo para nos matar de calor. O Sol, na verdade, morre de inveja da Lua, aquela adorada pelos amantes, companhia dos solitários, inspiradora dos poetas. É, acho melhor nos mudarmos para lá, de vez. Ops. Desculpe, senhor Sol.

Ah, voltando pela terceira vez (como vocês aguentam?)...Hoje, faz dois meses que eu mudei de endereço. E me sinto bem, embora sinta a falta da zoada do restante da família pela casa e, embora o Sol já esteja entrando novamente pela janela. Com licença! Preciso descer a cortina...

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