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on quinta-feira, 2 de dezembro de 2010 | 2 cousas
Há dias, estou com uma vontade indescritível de postar. E essa vontade não deixou de ser facultativa, a partir do momento em que todos os demais momentos se tornaram acumulativos. Estou um poço de emoções, que eu não sei para onde transbordar. A propósito, essa é só mais uma coisa a qual eu não sei; porque de repente percebi que as minhas ignorâncias não têm nada a ver com as leis físicas, químicas e nucleares, de outrora, quando mais da metade da minha vida era certeza.

Redescobri a farsa da minha força, que, essa sim, transborda de mim para todos os demais, com a minha hipócrita permissão e cumplicidade. Ai dos que recebem a minha força se soubessem que ela não existe, que ela paira sob uma ilusão "óptica", que do nada ela emerge. Ai de mim, que sobrevivo à base de tantas mentiras, de tantas ilusões.

De certo, preciso de algo mais transbordante que este post mal-dito. Preciso gritar o meu grito reprimido, berrar as minhas falas abafadas, reinventar alguma lei fisicoquímica que me devolva alguma certeza.
on terça-feira, 26 de fevereiro de 2008 | 8 cousas

Eu precisava ter dito ontem para que, no amanhã, eu não estivesse sentindo a angústia tomando conta dos olhos que tanto aprecias enfrentar. Mas vou dizer, agora, antes que as palavras evaporem diante do meu desespero de te ter longe pra sempre. Num pra sempre, que nem mesmo eu consigo entender. Não porque ele seja imensurável, mas porque eu não consigo apalpá-lo, senti-lo...vivê-lo!

A ti, sim. Eu te sinto, na minha alma fervente de amor. E é esse meu sentimento, no qual tanto depositas incredulidade, que me faz deixar de acreditar no impossível de viver até mesmo o quê eu não acredito existir. O nunca passa a ser real, num desejo incontrolável de permanecer no nosso amor. No mesmo amor, que fizemos numa noite cinzenta, e em que prometemos estar juntos, enquanto a vida fizer luz sobre as nossas mãos entrelaçadas.

Não vou brigar com o tempo, compositor dos nossos destinos, que ousa fazer dos nossos amores bonecos fantasiados de chuva, que vai e vem, num inverno bem vivido e perdido. Mas eu também não vou covardemente dizer adeus a uma história que estou me propondo a escrever, em papéis vãos, mesmo que seja só para empacotá-los numa caixa parda.

Coloca-te comigo nesta angústia irresistível de lutar para viver o pra sempre e para que nunca esse inverno deixe de molhar os nossos corações.

on segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008 | 5 cousas

"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.

Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.

Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.

Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.

Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.

Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.

Fizeram a gente acreditar que só há uma fórmula de ser feliz, a mesma para todos, e os que escapam dela estão condenados à marginalidade. Não nos contaram que estas fórmulas dão errado, frustram as pessoas, são alienantes, e que podemos tentar outras alternativas.

Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo prá gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."

Fizeram a gente acreditar, da Martha Medeiros. Texto 'roubado' na Butique da Severina.

on terça-feira, 5 de fevereiro de 2008 | 6 cousas
irmãs (de pele)
Eu não tenho tantas lembranças tuas. Até ontem, eu nem falava de ti para ninguém. Não que eu não te amasse, não porque algumas tardes não foram passadas contigo. Talvez, a coisa mais forte seja a dor da mordida do cachorro na minha mão, quando tu era a responsável por mim e eu menti para livrar a tua pele.

É, desde essa época eu já livrava a tua pele. Livrei a tua pele quando cuidei do teu boneco, o qual me tiraste impiedosamente quando ele já me amava. Livrei a tua pele quando a minha pele estava em jogo, e eu não agia por amor, só por uma proteção automática, que deveria ser de ti para mim, já que sempre fostes mais alta.

Cresci e fiquei mais alta que tu e, então, comecei a entender que não era a altura que pesava na nossa relação, mas o tamanho dos teus problemas proporcionais à minha dedicação. Uma dedicação de abraços envergonhados, de risos sem-graça, de carinhos desengonçados. Os meus abraços calorosos, as gargalhadas estrondosas, os carinhos descarados, os afagos constantes sempre foram para os meninos, os mesmos do futebol de botão, das tampinhas para o fofão...

Eles sim eram altões, engraçados e amados por mim, de coração. Tu, talvez, fosse um prego nos nossos sapatos, de pés cheios de calos. Ou, talvez, nem chegasse a ser assim tão importante a ponto de ser incômoda. E, certamente, aí iniciou a tua inveja, a tua maldade! Numa partida de futebol, resolveste desafiá-los e, como eras sagaz e má, ganhaste por trapassa o nosso jogo de alegria.

Eu fui o teu troféu e, numa sessão de choros e soluços sem fim, enganada pela raiva, pensei que eles tivessem me trocado. No entanto, numa loucura obcecada por outros troféus, tu olhou para a minha pele e a rasgou. Eu, indefesa, não consegui me livrar da tua fúria. Logo eu, que a tua pele tanto livrei...
on sábado, 5 de janeiro de 2008 | 3 cousas


a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido
a saudade
é uma colcha velha
que cobriu um dia
numa noite fria
nosso amor em brasa
a saudade
é brigitte bardot
acenando com a mão
num filme muito antigo

A saudade vem chegando
A tristeza me acompanha!
Só porque... só porque...
O meu amor morreu
Na virada da montanha
O meu amor morreu
Na virada da montanha
E quem passa na cidade
Vê no alto
A casa de sapé
Ainda...
A trepadeira no carramanchão
Amor-perfeito pelo chão
Em quantidade...

(Brigitte Bardot, de Zeca Baleiro)


Saudades da minha casa de sapé!
on segunda-feira, 31 de dezembro de 2007 | 2 cousas
Querido 2007,

Antes que eu seja deixada nas mãos do ano que está por vir, preciso dizer algumas coisas para ti.

Fostes pavoroso comigo, como nenhum o foi. Te olhar me provoca tristeza e as lágrimas insistem em cair sobre o meu vestido. Tu vais ficar em minha memória, enquanto eu tiver vida, mas nada do que tu me proporcionastes vai fazer com que eu não tenha dias melhores. Muito pelo contrário. Tudo o que vivi contigo me fez perceber o quanto sou forte e o como estou pronta para enfrentar outros piores que você. Contigo, me revelei cruel com alguns, mas muitos provaram não merecer nada do que eu dou.

Não sabes o quanto me sinto feliz em saber que as tuas malas já estão no bagageiro e que o trem para a tua partida já apita. As rugas que me destes são testemunhas das minhas esperanças. Esperanças mais ambiciosas do quê as com que te recepcionei. Me sinto renovada e disposta a vivenciar dores e alegrias. As minhas conquistas serão pontuadas para que, no meu íntimo, o orgulho transborde. E nem adianta me rogares pragas, pois as cultivadas por ti foram mortalmente esmagadas;

Vai-te, porque não é tarde, de fato. Vai-te, porque o tempo urge e, em mim, um novo dia anseia. Vai-te, porque cedo nascerá um 2008 saudável e sábio.

Adeus, malquisto!
on terça-feira, 25 de dezembro de 2007 | 3 cousas
Ele reapareceu para mim. Seu sorriso pelo presente que eu estaria para dar a ele iniciou uma conversa afinada pelo choro longe que eu tentava engolir. Procurei desviar os meus olhos, mas ele é experiente o suficiente para compreender que uma voz embaça por emoções sinceras. E era realmente uma emoção sincera. Não por tê-lo visto, mas por ter tido a impressão de alguns minutos antes ouvir a voz do meu herói que anseio ver rascunhamente há seis meses. Ofereci a ele a minha atenção de jovem ansiosa pelo que a noite poderia me devolver. Ele falou sobre religião e eu confessei que não a possuo, mas que agradeço todos os dias a Jesus por ter me dado o sopro da vida. Ele concordou e disse que eu deveria continuar amando e obedecendo a minha deusa, porque ela era guerreira e esperta, embora fosse muito ousada. Sorri e disse que eu também o era. Ele me abençoou, então, prevendo um sucesso. Segundo ele, a deusa nunca temeu a nada e teve uma vida baseada na audácia e na determinação, culminando com os dons que eu obtivera.

Consenti a sua benção e agradeci sinceramente a mão de pele amassada. Entreguei o seu presente e a sua boca com o hálito mal-cheiroso perfumou a adorável lembrança deste reencontro. Ele se foi e fiquei na companhia das minhas angústias corroídas pela ânsia do sucesso.

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