Eu precisava ter dito ontem para que, no amanhã, eu não estivesse sentindo a angústia tomando conta dos olhos que tanto aprecias enfrentar. Mas vou dizer, agora, antes que as palavras evaporem diante do meu desespero de te ter longe pra sempre. Num pra sempre, que nem mesmo eu consigo entender. Não porque ele seja imensurável, mas porque eu não consigo apalpá-lo, senti-lo...vivê-lo!
A ti, sim. Eu te sinto, na minha alma fervente de amor. E é esse meu sentimento, no qual tanto depositas incredulidade, que me faz deixar de acreditar no impossível de viver até mesmo o quê eu não acredito existir. O nunca passa a ser real, num desejo incontrolável de permanecer no nosso amor. No mesmo amor, que fizemos numa noite cinzenta, e em que prometemos estar juntos, enquanto a vida fizer luz sobre as nossas mãos entrelaçadas.
Não vou brigar com o tempo, compositor dos nossos destinos, que ousa fazer dos nossos amores bonecos fantasiados de chuva, que vai e vem, num inverno bem vivido e perdido. Mas eu também não vou covardemente dizer adeus a uma história que estou me propondo a escrever, em papéis vãos, mesmo que seja só para empacotá-los numa caixa parda.
Coloca-te comigo nesta angústia irresistível de lutar para viver o pra sempre e para que nunca esse inverno deixe de molhar os nossos corações.
"Fizeram a gente acreditar que amor mesmo, amor pra valer, só acontece uma vez, geralmente antes dos 30 anos.
Não contaram pra nós que amor não é acionado, nem chega com hora marcada. Fizeram a gente acreditar que cada um de nós é a metade de uma laranja, e que a vida só ganha sentido quando encontramos a outra metade.
Não contaram que já nascemos inteiros, que ninguém em nossa vida merece carregar nas costas a responsabilidade de completar o que nos falta: a gente cresce através da gente mesmo. Se estivermos em boa companhia, é só mais agradável.
Fizeram a gente acreditar numa fórmula chamada "dois em um, duas pessoas pensando igual, agindo igual, que isso era que funcionava. Não nos contaram que isso tem nome: anulação. Que só sendo indivíduos com personalidade própria é que poderemos ter uma relação saudável.
Fizeram a gente acreditar que casamento é obrigatório e que desejos fora de hora devem ser reprimidos. Fizeram a gente acreditar que os bonitos e magros são mais amados, que os que transam pouco são caretas, que os que transam muito não são confiáveis, e que sempre haverá um chinelo velho para um pé torto.
Só não disseram que existe muito mais cabeça torta do que pé torto.
Ah, também não contaram que ninguém vai contar isso tudo prá gente. Cada um vai ter que descobrir sozinho. E aí, quando você estiver muito apaixonado por você mesmo, vai poder ser muito feliz e se apaixonar por alguém."
Fizeram a gente acreditar, da Martha Medeiros. Texto 'roubado' na Butique da Severina.


a saudade
é um filme sem cor
que meu coração quer ver colorido
Querido 2007,
Ele reapareceu para mim. Seu sorriso pelo presente que eu estaria para dar a ele iniciou uma conversa afinada pelo choro longe que eu tentava engolir. Procurei desviar os meus olhos, mas ele é experiente o suficiente para compreender que uma voz embaça por emoções sinceras. E era realmente uma emoção sincera. Não por tê-lo visto, mas por ter tido a impressão de alguns minutos antes ouvir a voz do meu herói que anseio ver rascunhamente há seis meses. Ofereci a ele a minha atenção de jovem ansiosa pelo que a noite poderia me devolver. Ele falou sobre religião e eu confessei que não a possuo, mas que agradeço todos os dias a Jesus por ter me dado o sopro da vida. Ele concordou e disse que eu deveria continuar amando e obedecendo a minha deusa, porque ela era guerreira e esperta, embora fosse muito ousada. Sorri e disse que eu também o era. Ele me abençoou, então, prevendo um sucesso. Segundo ele, a deusa nunca temeu a nada e teve uma vida baseada na audácia e na determinação, culminando com os dons que eu obtivera.