on quinta-feira, 23 de dezembro de 2010 | 2 cousas
Eu tava aqui, lendo revistas de decoração, em busca de pautas. Algumas fotos são bastante tentadoras. Casas grandes, com jardins, mobiliários personalizados, alguns pura sofisticação. Na publicação anterior que eu trabalhei, fiz matéria sobre a decoração de uma casa de gente "ryckah". A casa era “um brinco”, como diria a minha mãe. E, antes de tirar algumas fotos, fiquei me perguntando se lá eram criadas crianças.

Era tudo muito arrumado, nem na porta de correr espelhada havia manchas de mãos. Os livros de arte ficavam emparelhados em estantes ou em aparadores, certamente aguardando leitura, o que denotava que nenhuma mão os tivesse folheado. Durante a sessão de fotos, duas crianças apareceram. Era um menino e uma menina. Ele mais velho que ela, e ela mais danada que ele; porém os dois comportados, deu pra entender? Eu entendi.

Aliás, lembrei. A minha casa anterior era grande, sem comparação a atual. Detalhe que nos mudamos para essa, exatamente, porque a casa grande o era para apenas duas pessoas – eu e a minha mãe. Embora sempre tivesse sido o sonho (realizado e desmoronado) da minha mãe ter uma casa grande, ninguém a aproveitava como podia.

Em alguns momentos, eu ia pro terraço e sentava no piso para saber qual era a sensação de estar sentada ali. Então, eu olhava pra lateral, via tudo de todos os ângulos e sentia como se o espaço fosse novo, recentemente desvendado. Era gostosa a sensação. Mas voltar a tê-la era difícil, porque nos entretínhamos na sala de TV ou no quarto de frente pro computador.

E, hoje, na casa mini, somente para o quintal eu não dispenso atenção. Ele é bagunçado por velharias entulhadas. Talvez, eu pudesse sentar na mureta do tanque e perceber os diferentes ângulos pelos quais o sol bate na água, mas não o faço. Mesmo assim, eu ganho daquelas crianças, que vi entre sorrisos no parapeito do segundo andar, com acesso aos quartos, e que não aproveitam a sua ampla e sofisticada casa; assim como os pais que têm tanto espaço de sobra para esticar as pernas, e nem lembram que existe aquela linda poltrona de modelo provençal no hall de entrada.

2 cousas:

Lorena disse...

Como eu já te disse, eu morei em 13 casas diferentes durante meus 25 anos de vida. Isso dá menos de dois anos por casa, olha que coisa. Muitas vezes, eu e minha família mal passávamos um ano em uma casa e já tínhamos que mudar para outra. Quando fui morar sozinha, a história se repetia, pulando de galho em galho. Já morei até em quarto de hotel, por pouco mais de um mês!

Tudo isso pra dizer que nunca criei muitos víncluos com uma casa, nem minha família. Por mais que se gostasse de enfeitar, mobiliar, decorar, cuidar, não nos apegávamos à estrutura em si, mas muito mais ao ambiente que se criava. E por isso eu penso que essa casa de gente rica que vc visitou era o extremo oposto de tudo que eu conheço como casa. Pelo que percebi, essas pessoas elegantes dão mta importância ao espaço, ao imóvel, aos detalhes da construção, da mobília e "frescuras" (que me perdoem) da decoração, do que ao aconchego do ambiente em si. A casa pode ser linda, perfeita; mas e o lar? Esse tem muito pouco a ver com o que de material se investe em um imóvel, e muito mais com o calor humano de quem mora ali.

Por isso eu acho que tanto eu, na minha vida cigana, quanto você, nas sua relação de afeto com os lugares onde viveu, sabemos muito mais "decorar" um espaço do que a gente rycah dos condomínios de luxo. Pq a gente sabe que o maior bem que uma casa pode conter são os seus moradores.

Du disse...

Seja no Natal ou em qualquer outra data, devemos sempre sentir a presença de Deus em nossos corações. Neste ano que passou, apesar de tudo que sofri, sempre senti que Ele me carregava no colo quando eu achava que não podia mais seguir meu caminho. 2010 foi o ano mais difícil de toda minha vida, mas ao mesmo tempo, foi o ano em que tive provas de que verdadeiras amizades ainda existem e que Deus nunca nos desampara. Talvez por isto eu tenha conseguido meu emprego tão sonhado, depois de tantas batalhas, internas e externas...

"Girando o mundo nos guia à poesia dos dias, seja com o sol, seja com a lua, ela é tua... a felicidade está em ti."

(postei esta frase no twitter quando senti que o sorriso é como uma cura... e foi. mudei minha atitude diante dos fatos e meu pensamento atraiu energias positivas)


Ahhh, sobre o teu texto, mudei tantas vezes de casa na minha infância que mal lembro dos amigos que tinha na época... adoro te ler, de qualquer jeito.


Obrigada por ainda existir na minha vida, amiga de fé. Te amo.