on sábado, 29 de dezembro de 2007 | 2 cousas

O post de hoje é bastante especial e acredito que, pelo tamanho dele, nem todos vão querer ler. Mas eu preciso fazê-lo e depois eu faço um 'normalzinho'.

Há pouco mais de um ano, me intrometi numa turma de Relações Públicas para produzir uma revista laboratório da habilitação, chamada RP Alternativo. A disciplina exigia, além das redações para a publicação, que os alunos corressem em busca de patrocínios para a impressão da mesma, aquisição de brindes e para o coquetel de lançamento. Conseguimos fazer um excelente trabalho, embora os patrocínios não tenham sido em bom número.

Com o sucesso do lançamento da nossa edição, duas garotas da turma tiveram a idéia de abrir uma empresa de comunicação e me chamaram para fazer parte. Logo eu aceitei. E mais alguns convites foram feitos e aceitos. Formamos assim um sexteto autêntico e assim nasceu a Autêntica Comunicação. Para nos auxiliar nos primeiros eventos, convidamos duas participantes especiais que não ficaram por muito tempo, mas que nos deram força. Nosso primeiro cliente foi a empresa onde eu trabalhava e o evento dela fez com que a nossa deixasse de ser um sonho para se organizar e virar realidade. E assim prosseguimos com clientes conhecidos que nos indicavam a outros.

Começamos a respirar Autêntica e nossos dias ficaram cada vez mais curtos, mais cheios, cansativos e prazeirosos. Como a equipe era bastante heterogênea, elegemos uma coordenadora para conduzir as reuniões, os eventos, as negociações, a própria empresa e depois cada uma tomou um cargo para si. Tiramos dinheiro dos nossos bolsos para comprar fardas, fabricar bottons, fabricar cartões de visita, comprar equipamentos, colocar gasolina, comprar lanches, pagar impressões, fazer portfólio, pagar notas fiscais, etc. Nada era retirado do caixa da empresa para pagar as despesas, pois tínhamos em mente que ela só poderia se sustentar a médio/longo prazo. Fizemos curso de planejamento estratégico e adquirimos livros para rodízio de leitura.

Tínhamos planos de fazê-la crescer e passamos a contar com personagens importantes para nossos serviços. Sempre prometendo qualidade, botamos a cara pra bater. É, mas nem tudo foi tão exato assim. Descascamos muito abacaxi e tivemos alguns pepinos entre nós. Mas foram pepinos tão bons. Nossa! Por mais que disséssemos a nós mesmas que formávamos uma empresa, nós éramos amigas. E amigas brigam, esculhambam, se magoam, se abraçam, contam babados, riem juntas, criam problemas juntas. E assim não conseguimos dissociar a amizade do trabalho. E, de certa forma, isso nem foi tão ruim e tão prejudicial. Pelo menos, não na minha concepção.

Quantas brigas tivemos com Poliana, porque o gênio dela era forte e ela não desistia das opiniões sem uma boa discussão?!? Quantas vezes Rebek mandou e-mail intitulado "Nak Fala" combinando reunião, enquanto uma queria encontrar amigos, outra queria ir beber, outra queria encontrar o namorado, a outra queria apenas descansar e lá iam todas pra reunião com um bico maior que o da outra?!? Quantas vezes Rebek não ficou injuriada porque, em vez de incorparem a pauta, as garotas falavam dos seus estágios, das suas famílias, dos seus namoricos?!? Quantas vezes Wanessa ficou discutindo com não-sei-quem porque era voto vencido?!? Quantas vezes Joelma reclamou porque estava faminta e não conseguiria pensar com fome?!? Quantas vezes brigamos em qual casa filaríamos o rango, na reunião de domingo?!? Quantas vezes não devoramos a geladeira da casa de Rebek, na madruga?!? Quantas vezes a gente fez sessões de fotos após os eventos, mesmo com a maquiagem derretendo?!? Quantas vezes eu me estressei com elas, porque ninguém conseguia ser prática e eu tinha que ser a Assessora de Imprensa, de Comunicação Interna, de Assuntos Aleatórios, do diaxo-a-quatro?!? Quantas vezes Linara se omitiu em dar opinião e todo mundo ficava esperando a sua sabedoria?!? Quantas vezes disputamos a liberação das reuniões com Bigodinho (um cliente chato)?!? Quantas vezes eu, Rebek e Joelma enlouquecemos com os cálculos orçamentários para ter uma margem de lucro?!? Quantas vezes fizemos reuniões para decidir quem ia ou ficava, no BBB, de novas integrantes e, no final, não ficava ninguém?!? Quantas vezes eu fiz o Desafio Sebrae sozinha?!? Quantas vezes dividimos o tempo nos nossos estágios com os chats por e-mail?!?

É, as nossas vidas e as vidas de nossas famílias foram revolucionadas em prol da Autêntica. E, hoje, eu sinto tanta falta de tudo, embora tenha sido a primeira a abandonar o barco e, logo depois disso, tudo ter minado a ponto de decidirem dar um fim na mesma, após um ano de existência. Não, não foi a minha saída, claramente, que acabou com a empresa. Para todos os efeitos (eu acredito assim, mesmo que muitas discordem e se chateiem comigo), uma empresa, como a Autêntica que estava correndo rápido demais, precisa que todos comunguem dos mesmos ideais, e senão dos mesmos ideais, que estejam profissionalmente amadurecidos. Todas já estagiavam, mas nem todas tiveram em seu circuito de experiência grandes responsabilidades que puxassem compromisso. E uma coisa é inerente à outra, senão o mingau desanda.

Muitas vezes isso foi dito, foi alertado e todas diziam que iriam se comprometer mais, porém, em qualquer momento, esqueciam o quê tinha sido acordado. Mas nem só isso fez com quê a inércia pairasse. E seus dias começaram a ser fatídicos até que aconteceu o que eu já disse: acabou...

Quer dizer, acho. Hehehe. É, Poliana, a mais estressada, anda frustrada com o término do nosso relacionamento e nos pôs para trabalhar ontem, na colação de uma turma de Ciências Contábeis. Esse retorno, meio sem-querer-querendo, balançou com os nossos ânimos e fiquei um pouco triste por duas, da (antiga) equipe, estarem ausentes; mas o passado meio confuso refletiu positivamente na condução do evento, o que nos deixou bastante orgulhosas. Por isso, se já antes eu queria prestar uma singela homenagem a estas que me fizeram uma meia RP, faço isso com todo o prazer, agora. Para mostrar o quão engraçada foi a nossa trajetória, cá elenco algumas loucuras (não detalharei, senão vai dar 'pano pra manga') AUTÊNTICAs :

- Para me manter acordada durante a diagramação da RP Alternativo, Poliana foi convidada a dormir na casa de Rebek. No entanto, Poliana passou a madrugada toda chorando pelo ex e perguntando: "O que eu faço, Luana?!" O.o
- Durante a vistoria do local de um evento, Joelma apareceu de short jeans curto, sendo que o local estava cheio de 'peões' e ainda era o MEU local de trabalho. Affão!
- Como nós éramos as 'faz-tudo', tivemos que correr, de última hora, atrás de salgados no outro lado da cidade para um coquetel. Como Rebek não sabia o trajeto, subiu pela via errada da ponte e, no meio da mesma, fez uma manobra 90º, me deixando louca de vergonha dos motoristas que gritavam: "Sua louca, você quer matar quem?! Só podia ser mulher!" ¬¬'
- A reunião com o diretor do veículo de comunicação, onde chegamos meia-hora atrasadas e fizemos o cara voltar do estacionamento para a sua sala, só porque somos lindas e inteligentes. hahahaha.
- Num baile, formandos não se conformaram com as disposições das mesas propostas pela comissão de formatura e começaram a esculhambar a nossa coordenadora. Enquanto isso, ficávamos, pelo talkabout, nigrinhando a briga delas. kakakakaka
- Às 5h da madrugada, o pneu do carro furou e dois rapazes pararam o carro para ajudar na troca. Depois de ter passado o medo, ficamos tirando foto, enquanto eles faziam o servicinho. kakaka. Muita onda mesmo!
- Numa reunião, num hotel, ficamos fofocando por meio de papeizinhos, enquanto o falante anfitrião (bigodinho) tentava nos fazer de trôuxas. Hum...hum...Vai lá, doidão!!!
- A vez em que a equipe foi entrevistada por um programa de televisão e o repórter decidiu fazer uma divulgação especial da empresa, mas eu dispensei por e-mail. Ui
- Numa formatura, tivemos que barrar as pessoas que não estavam com traje a rigor e um dos formandos disse que processaria a empresa, por fazermos os seus familiares passarem vergonha. =/

Ai, é tanta coisa, que se for para lembrar de cada uma, esse post vai ficar maior do que eu pensei que fosse ficar. E importa mesmo é que todos os momentos estão registrados nos nossos corações e que meu 2007 foi sensacional com vocês, moças! Pelo menos, hoje, sei perceber e reconhecer que os problemas enfrentados ajudou a sementinha do profissionalismo amadurecer um poucão em cada uma. Ninguém é perfeito e muito ainda teremos que viver para que tenhamos a excelência profissional. Mas ver Poliana comandando a equipe, ver Joelma mais estratégica, ver Wanessa mais proativa (lembra, Wan?! hahahaha), dá um orgulho danado. E agora? Será que a AUTÊNTICA morreu mesmo????

2 cousas:

Polyana Amorim disse...

lembro-me bem do primeiro evento. não era uma Autêntica autêntica, era mais um quebra-galho.
acordei cedo pra carai, pus um sapatin apertado, ensebaram meu cabelo com gel, puseram um quilo e meio de pó no meu rosto e passi o dia todo empacotada numa roupa vermelha com forro, sendo que o clima pedia shortin floral, camiseta branca e havaianas...
mas experiência é experiência!

o que eu aprendi com isso?
rádio e tv é a melhor habilitação do mundo.
=D

ser um pouco Autêntica foi mto legal!

Luana Diniz disse...

Sim, amiga! Fostes de uma ajuda imensurável. Fostes mais que um quebra-galho. Fostes uma autêntica quebra-árvore!